Podemos dormir descansados.

Portugal é, finalmente, um país decente: começou a julgar os seus activistas de Extrema-Direita, portanto, podemos dormir descansados, porque a Corrupção, o Tráfico de Armas, a Pedofilia, o Branqueamento de Capitais, sei lá... eu costumo ter a lista memorizada, mas hoje estou meio alzheimerizado, de maneira que ficam só estes.
Espero que estejam a comparecer perante juízes austeros, como aqueles que puseram na rua o Pedroso, o Valentim Loureiro, a Felgueiras e o taxista que matou quatro crianças numa aceleração copofónica do Porto. Dizem, que eu ando sempre fora dessas cenas, e só sei dos telejornais porque me contam uns resumos satirizados, que o Mário Machado estava a ser julgado, entre outras coisas,
por ter chamado "macaco a um preto". Ora, eu isso acho grave, porque nunca tinha ouvido, ao longo dos meus 32 anos, chamar, em Portugal, preto a um macaco, perdão, macaco a um preto. O Português da rua, pessoa conhecida pela sua pacatez e elegância de expressão, seria incapaz de dizer "preto de merda", "monhé do caralho", "escarumba nojento", "chinoca", "filho da puta do cigano"... não, que me lembre, nunca ouvi, portanto, é preciso dar neles, já, e exemplarmente.
O Machado parece que tinha umas armas em casa, mas, se vamos por esse caminho, devíamos ir à porta do "Eleven" pôr a ASAE a farejar o mesmo cheiro. Grave é que há, no meio disto tudo, uma acusação de homicídio, e o homicídio não é nada que costume acontecer em Portugal: a Noite do Porto e de Lisboa que o digam, nem aqueles ajustes de contas da "branca", das Mafias de Leste, ou das vinganças das Redes. Acontece que investigar um crime numa rede de tráfico é uma coisa muito complicada, porque pode começar-se a puxar por um nome banal, e, logo a seguir, começar a aumentar a pompa dos apelidos, o nível das profissões, e penetrar -- só deus e o Júdice saberão -- na própria Esfera da Política.
A Esfera da Política já estava estudada em Aristóteles: era o Motor Imóvel, cujo centro estava em toda a parte e o extremo em lugar algum (já estou a baralhar isto com um Medieval qualquer, mas não faz mal, adiante...), portanto, NUNCA se deve levar uma rede de tráfico de droga ao Tribunal, porque pode acontecer a pessoa acabar a chatear algum deputado, ou alguma reputada Sociedade de Advogados, ou algum dos próprios magistrados envolvidos na inquirição. Tráfico, ainda menos, porque as Grandes Obras precisam de grandes escravos -- o Cavaco que o diga, quando deixou vir o imigrante ilegal, mão-de-obra não registada, a viver em contentores, segurança social... népia, e o salário era de quando em vez, porque, senão, era o próprio patrão que denunciava o escravo ao SEF -- todavia, façamos uma pausa, e oremos: sem essa mão-de-obra escrava, de monhés, escarumbas, cabo-verdianos, ucranianos, brasileiros e "macacos" afins, nunca poderíamos ter beneficiado de coisas tão magistrais como a Ponte Vasco da Gama, o Centro Cultural de Belém, as Estradas da Morte e a célebre Expo, cujo prolongamento foram os Dez Estádios de Carlos Cruz e Sócrates, enquanto Secretário de Estado.
A Mota-Engil foi generosa, e deu ao ruminante tudo aquilo que ele tinha andado a ruminar, mas isso é outro assunto, e, hoje, só uma pontinha do icebergue.
Voltando atrás, eu acho que também devia ser julgado, porque havia uma gaja que eu conhecia, a quem chamávamos a "chimpanza": porque ela era branca, mas mas tinha a cara espalmada e os braços pendurados, como esses seres nojentos de Samatra, que deviam ser todos exterminados, porque têm pelo cor-de-laranja, como os pós-"punks", e têm os braços muito compridos. Algumas expressões deles até fazem lembrar o Vítor Constâncio, quando cerra os lábios para soletrar uma centésima. São quase humanos, mas não passam de macacos, mas a verdadeira razão de mais esta paródia pública, só o "Zangado" e a Câncio a sabem:
o Grupo de Mário Machado tinha uma lista de políticos a abater, coisa que eu também acho extraordinário, porque nenhum de nós, -- 10 000 000 -- quando certos nomes vêm à baila, e não é forçoso que as listas sejam coincidentes, nenhum de nós, dizia eu, nunca, jamais, em era alguma, soltou a célebre frase, "esse gajo, se eu pudesse, limpava-lhe o sebo!..."
Parece que, aparentemente, Mário Machado estava em vias de poder concretizar esse velho sonho nacional, e isso deixava os "Zangados" do nosso panorama borradíssimos de medo...
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