José Mestre Batista (1940-1985).


A 17 de Fevereiro de 1985 faleceu em Zafra (Espanha), vítima de um ataque de asma, doença de que padecia há já alguns anos o cavaleiro tauromáquico José Metre Batista.

Filho de José Batista Pereira e Maria Júlia Mestre, “Tita”, como é conhecido e apelidado pelos familiares e amigos, desde criança demonstra um grande desejo de vir a tornar-se cavaleiro.

Depois da instrução primária, por insistência dos pais, passa a frequentar um colégio em Évora, mas a sua vontade não aponta para o prosseguimento de estudos, pelo que falta constantemente às aulas.

Aos doze anos, já tem um cavalo – o “Ideal”, com ferro de seu pai, o qual põe a tourear apenas por intuição, visto não ter frequentado qualquer escola de equitação.

Um ano mais tarde (1953), faz a sua primeira actuação, estreando-se na Praça de Touros de Mourão. A assistir está Luís Gonzaga Ribeiro, natural de Reguengos de Monsaraz, o homem que lança Mestre Batista no panorama tauromáquico, tornando-se seu apoderado, amigo e protector. Frequenta, de seguida, a Escola de Equitação de Mestre Nuno de Oliveira, para aperfeiçoar a sua maneira de montar e, ao fim de quatro anos como amador, Mestre Batista recebe a alternativa de Cavaleiro Tauromáquico profissional a 15 de Setembro de 1958, na Praça Daniel Nascimento na Moita, depois de lhe ter sido recusada três meses antes, a 19 de Junho, no Campo Pequeno. Aprovada, desta vez por unanimidade, o cavaleiro tem como padrinho D. Francisco Mascarenhas.

Reguengos de Monsaraz é uma das primeiras praças onde Mestre Batista consegue contrato depois da alternativa, estando presente nas corridas das Festas de Santo António desde o primeiro ano do seu aparecimento. Na altura, recebe apenas cinco mil escudos por corrida, metade da média dos “cachets” dos cavaleiros da época, que se divide por dois bandarilheiros, motorista da camioneta, tratador dos cavalos, comida e dormida.

Apesar de muito criticado e apelidado, por alguns, de “louco”, devido ao arriscado e frontal toureio que pratica, depressa passa a alternar com cavaleiros de primeira categoria. A pouco e pouco, o público começa a render-se ao seu novo modo de tourear, assistindo-se a uma verdadeira revolução no toureio a cavalo, que deixa de ser um complemento da festa e passa para primeiro plano. Arrastando multidões, pisa terrenos até então proibidos, lança os famosos “ferros à Batista” e institui um estilo próprio, que vem influenciar a maioria dos cavaleiros das gerações posteriores. A 10 de Junho de 1962, em Santarém, fica marcada uma das suas excelentes actuações, que termina com cinco voltas à arena e saída em ombros.

Mas a revolução fá-la também ao nível do vestuário, tendo passado a usar casacas mais curtas e leves (acima do joelho), calções de várias cores, por cima de “collants” em vez das tradicionais meias. Conserva, contudo, o uso do tricórnio, hoje mantido, pela maioria dos cavaleiros, apenas na execução das cortesias.

Alterna, em centenas de corridas, com Luís Miguel da Veiga, que, apesar de amigo, é considerado pelo público seu rival. Sempre com lotação esgotada, são o cartel mais anunciado, disputado e discutido durante quinze anos. Esta dupla faz aumentar o interesse pelo toureio a cavalo, trazendo milhares de aficionados para a Corrida à Portuguesa.

Por três anos (1963, 64 e 71), é-lhe atribuído o prémio Bordalo, na categoria de Tauromaquia, como melhor cavaleiro.

Para além de Portugal Continental, o “cavaleiro da nova vaga”, como lhe chamam alguns, toureia nos Açores, em Luanda, Lourenço Marques (actual Maputo), Macau, Espanha e França. “Talismã” é um dos seus melhores cavalos.

Apesar do sucesso que o vai acompanhando, nunca impõe nomes de ganadarias para tourear, nunca exige ou recusa alternar com qualquer cavaleiro, toureia em dezenas de Festivais e Corridas de Beneficência e demonstra sempre, segundo António Garçoa, seu Peão de Brega e amigo, extrema sensibilidade aos problemas dos mais necessitados.

Dos momentos menos bons, destacam-se colhidas graves nas Praças de Touros de Santarém, Espinho, Almeirim e Vila Viçosa e o facto de, a 26 de Novembro de 1967, na Moita, ter visto o seu trabalho arruinado, devido a inundações, que conduzem à morte de alguns dos seus cavalos de êxito. Mas o desânimo não se faz sentir, uma vez que Mestre Batista se dedica arduamente à selecção de novos cavalos. Durante cinco meses, montando, por vezes, oito horas diárias, põe dois cavalos a tourear, mantendo-se como primeira figura do toureio a cavalo.

Como a maioria dos cavaleiros, Batista é um homem com fé. Nossa Senhora de Aires é a Santa da sua devoção. Em Viana do Alentejo, numa capela com altar restaurado por si, deposita constantemente as flores recebidas nas corridas e baptiza o seu filho – João Manuel Duarte Bouça Mestre Batista, nascido a 22 de Julho de 1975, da união, primeiro no civil (9 de Outubro de 1973), depois na Igreja Católica (31 de Dezembro de 1973), com Emeletina Duarte Bouça.

Para além da arte de tourear, exerce funções como presidente do Sindicato dos Toureiros, tendo tomado posse a 6 de Janeiro de 1976, no pós 25 de Abril, numa época em que muitas ganadarias e coudelarias estavam ocupadas, havendo tentativas de destruição do touro bravo e de raças selectas de cavalos. Juntamente com Manuel Conde, David Ribeiro Telles, António Badajoz e José Tinoca, integra a Comissão para a Defesa do Touro Bravo. Consegue também a reabertura do programa “Sol e Touros”, então silenciado. Defensor dos touros de morte, assume ainda o papel de Director de Corrida, permitindo que se matem quatro touros, a 7 de Maio de 1976, em Vila Franca de Xira, depois de ter toureado na primeira parte.

Aquando das comemorações dos seus 25 anos de alternativa, vê descerradas lápides em algumas Praças de Touros, como Moita, Évora e Reguengos de Monsaraz.

Por fim, a 17 de Fevereiro de 1985, em Zafra (Espanha), este “… toureiro de corpo inteiro que, praticamente sem ajudas de ninguém, se fez a si próprio, tornando-se num ídolo e marcando uma época,” vem a falecer vítima de um ataque de asma, doença de que padecia há já alguns anos. Actualmente, o seu corpo jaz no cemitério de Vila Franca de Xira, em mausoléu.

Por insistência de António Garçoa, Mestre Batista é ainda condecorado, a título póstumo, pelo Presidente da República (General Ramalho Eanes), sendo reconhecida e recordada a sua figura numa das sessões da Assembleia da República.

Faleceu Conchita Cintrón.


Na manhã de 17 de Fevereiro de 2009, Conchita Cintrón , talvez a mais famosa toureira da história, faleceu pacificamente em sua casa com 86 anos de idade.

De naturalidade Chilena, nasceu em 1922 e estreou-se em público aos 14 anos na praça de toiros de Lima, no Peru. Desde então, toureou a pé e a cavalo em quase todos os países da América do Sul, em Portugal e em Espanha.



Na sua admirável carreira que terminou em 1950, matou mais de 750 toiros em praça, e destacou-se não apenas pelo facto de ser uma mulher toureira, mas sobretudo pela graciosidade, bravura e alma do seu toureio, que rivalizava com os principais rejoneadores e matadores da altura.


Orson Wells escreveu certa vez sobre Conchita, que "o seu legado, é uma forte reprimenda para todos os homens que alguma vez defenderam que uma mulher tem de perder parte da sua feminilidade se quiser competir com os homens".


Caso queira prestar uma última homenagem à grande mulher e grande toureira que nos deixou poderá faze-lo na Igreja de Santo António do Estoril, pelas 15H, do dia 18 de Fevereiro.

A Tauromaquia fica assim mais pobre com o desaparecimento desta grande figura da festa brava mundial.

Diamantino Vizeu.


Passaram-se já oito anos daquele 11 de Fevereiro de 2001, em que faleceu o nosso primeiro matador português, Diamantino Vizeu. Esse acontecimento fatídico, tremendamente injusto, pois Vizeu passou a vida a enfrentar a morte nos cornos dos toiros e acabou por perdê-la colhido por um automóvel, aconteceu na Av. de Berna em Lisboa, quando o matador contava com 77 anos. Diamantino Viseu, nasceu em Lisboa a 30 de Julho de 1923 e foi um caso único do toureio em Portugal. Sempre quis ser matador de toiros, apesar de não ter ninguém da sua família ligada à tauromaquia. Viu esse desejo dificultado, pois em Portugal não havia a arte de Matador de toiros e os ganadeiros portugueses também não o ajudaram, nunca lhe cedendo sequer um bezerro para os treinos. Imigrou para Espanha onde o êxito foi imediato, vestindo pela 1ª vez o traje de “luces” na praça de Toledo. A 23 de Março de 1947, na praça de toiros de Barcelona, recebeu a alternativa sendo seu padrinho Pepe Bienvenida. Concebeu um estilo muito próprio e o seu êxito foi tanto que foi convidado para participar como protagonista ao lado de Amália Rodrigues na 1ª longa-metragem produzida a cores em Portugal: “Sangue Toureiro” (1958). Foi grande rival nas arenas de outro matador de toiros português, Manuel dos Santos, curisosamente este também falecera num acidente de viação em 1973 e no dia em que Diamantino Vizeu morreu, Manuel dos Santos se fosse vivo faría 76 anos. Na vida e na morte estiveram os dois ligados. Diamantino Vizeu fez a sua despedida no Campo Pequeno a 24 de Agosto de 1972. Hoje parece apagado da memória de muitos, principalmente daqueles que supostamente deveriam divulgar e promover a festa brava. No entanto que ninguém esqueça que Diamanino Vizeu, não foi um homem qualquer...

Joana Amaral Dias atirou com sapato Manolo Blahnik a Louçã.



Joana Amaral Dias, recentemente excluída da Mesa Nacional, o órgão máximo do Bloco de Esquerda, provocou o pânico no Pavilhão do Casal Vistoso, local onde decorreu a VI Convenção do Bloco. Francisco Louçã, ao contrário de Bush, não conseguiu desviar-se e foi suturado com 21 pontos na testa. “Estávamos todos a cantar a parte “Da ideia a chama já consome a crosta bruta que a soterra” e oiço a Joana a gritar “Este é o meu beijo de despedida, seu bandalho". Ela deve ter andado a treinar este lançamento desde Dezembro. Vê-se que há aqui muita maldade. Quem escolhe atirar um sapato de tamanho 42 com um salto altíssimo, feito com aquelas lantejoulas todas, anéis e correntes, quer aleijar a sério”, afirmou Daniel Oliveira.

Próximos cartéis.


  • Praça de Toiros de Arronches - 28 de Fevereiro
    Festival de Beneficência.
    Cavaleiros: Tomas Pinto, João Maria Branco, Miguel Moura e Verónica Cabaço
    Matador: Luís Vital "Procuna"
    Novilheiro: João Augusto Moura.
    Forcados: Amadores de Arronches e Monforte
    Toiros: pertencerão a várias ganadarias.
  • Praça Daniel Nascimento (Moita do Ribatejo) - 28 de Fevereiro
    Festival de Beneficência.
    Cavaleiros: J.Bastinhas, L.Rouxinol, R.Fernandes, Sonia Matias, F.Gonçalves, M.Bastinhas
    Matador: Nuno Velasquez

    Forcados: Amadores da Moita, Pinhal Novo e Cuba
    Toiros: Charrua
  • Praça de Toiros Celestino Graça (Santarém) – 21 de Março
    Corrida de Toiros
    Cavaleiros: Manuel Lupi, João Telles jr e o praticante João Salgueiro da Costa
    Forcados: Amadores de Santarém e Alcochete
    Toiros: Pinto Barreiros
  • Praça de Toiros de Portalegre - 4 de Abril
    Corrida de Toiros
    Cavaleiros: João Moura Caetano, João Moura jr e Manuel Lupi
    Forcados: Amadores de Portalegre e Alter do Chão
    Toiros: Maria Guiomar Cortes Moura
  • Praça de Toiros Arena d`Évora – 11 de Abril
    Festa do Forcado
    14h00 Festa do Forcado – Torneio de Pegas de Cernelha e demonstração de Sortes Antigas (entrada gratuita)
    21h30 Corrida de Toiros – Cartel a Designar
  • Praça de Toiros de São Manços - 12 de Abril
    Corrida de Toiros de Domingo de Páscoa
    Cartel a designar
  • Praça de Toiros de Alpalhão - 12 de Abril
    Corrida de Toiros de Domingo de Páscoa
    Cartel a designar
  • Praça de Toiros de Sousel - 13 de Abril
    Corrida de Toiros da Páscoa
    Cartel a designar
  • Praça de Toiros de Alter do Chão – 25 de Abril
    Corrida de Toiros
    Cavaleiros: João Moura, João Moura Caetano e António Maria Brito Paes e ainda o amador Miguel Moura.
    Forcados: Amadores de Montemor e Alter do Chão
    Toiros: Pégoras
  • Praça de Toiros de Beja – 2 de Maio
    Corrida de Toiros da Ovibeja
    Cartel a designar
  • Praça de Toiros de Montemor – 3 de Maio
    Corrida de Toiros – Concurso de Ganadarias
    Cartel a designar
  • Praça de Toiros de Vila Franca - 3 de Maio
    Corrida de Toiros
    Cavaleiros: a designar
    Forcados: Amadores de Évora e Vila Franca
    Toiros: Pégoras
  • Praça de Toiros das Caldas da Rainha – 24 de Maio
    Corrida de Toiros
    Cavaleiros: Rui Salvador, Luís Rouxinol e Ana Batista
    Forcados: Amadores do Aposento da Chamusca e Caldas da Rainha
    Toiros: Pinto Barreiros
  • Praça de Toiros de Marrazes – 30 de Maio
    Corrida de Toiros
    Cavaleiros: Rui Fernandes, Ana Batista e António M. Brito Paes
    Forcados: Amadores Alcochete e Caldas da Rainha
    Toiros: Ascenção Vaz

Bom fim-de-semana.

Citação.






«...o toureio a pé tem uma importância vital, porque só aí [os aficionados] se encaram com a verdade primordial do toureio: a emoção do encontro e confronto entre um homem e um touro com as hastes limpas.»
David Leandro (Novo Burladero, Fevereiro de 2009)