Festival taurino em Stº António das Areias




Os bilhetes já estão à venda na Casa do Povo de Santo António das Areias que pode ser contactada através do telefone: 245 992 157

Irina Shayk e o calor da Andaluzia.







Irina Shayk, modelo russa e namorada de Cristiano Ronaldo, fez uma sessão fotográfica para a conhecida revista "Sports Illustrated", com a cidade espanhola Sevilha como pano de fundo.

Ao contrário de outras sessões, em que a modelo russa aparecia em praias paradisíacas, a namorada de CR7 presta homenagem ao calor e sensualidade de Andaluzia.




Maomé e as Pussy Riot




Pedro Picoito, no post "Maomé e as Pussy Riot":

"Dá que pensar o nosso desigual acolhimento à  performance das Pussy Riot numa igreja de Moscovo e ao filme americano sobre Maomé que incendiou a rua islâmica. A primeira é um acto de liberdade e uma obra de arte, o segundo é irresponsável e kitsch. Curiosamente, ninguém notou que o protesto anti-Putin num local de culto poderia ser tão ofensivo para os ortodoxos como a sátira do Profeta para os muçulmanos. Curiosamente, ninguém se incomodou com a mistura entre política e religião das punks russas (que seria criticado por todos, e bem, se viesse de D. Januário ou do Arcebispo de Westminster). O que mostra como o “desencantamento do mundo”, assim lhe chamou Max Weber, nasce também do Romantismo: já não nos choca a profanação de um espaço sagrado e, mais do que isso, a arte ocupou o lugar da religião. Ora, tirando o puro medo que se lê nas entrelinhas (Hillary Clinton, por exemplo), a que se deve esta duplicidade de critérios? E como não cair em tal duplicidade, que atenta contra a igualdade de todos os cidadãos?"

História moderna do Médio Oriente em 10 minutos

Aborto Ortográfico




«Estamos para com o Acordo Ortográfico, uma aberração sem sentido que não merece sequer que se lhe discuta qualquer mérito, como se esteve para com o disparo do défice e da despesa pública: deixa-se andar e depois vê-se no que dá. Já sabemos o que deu o défice e a dívida. A única força que sustenta o Acordo é a mesma que condenou o país a esta crise profunda: inércia. Está na altura de lhe bater o pé com força, e a causa contra o Acordo até na rua terá sucesso. Bem que o Acordo podia ir junto com a TSU fazer companhia à meia hora de trabalho suplementar.»
(José Pacheco Pereira, Abrupto)

Touradas e outros divertimentos.




Está na moda dizer que o público "se diverte" quando uma corrida é boa. Que me lembre, o termo "divertimento" começou a ser aplicado ao espectáculo taurino em Espanha, por alguns matadores mais gaiteiros, estilo Jesulín de Ubrique ou El Cordobés, filho. Ao presenciarem o salto de la rana e outras finezas, os espectadores não podiam deixar de se rir, e, consequentemente, de se divertir... A moda atravessou a fronteira, e desde aí é vulgar ouvir os nossos artistas e alguns "críticos" concluírem, no fim de um espectáculo animado, que estiveram bem, porque o público se divertiu.


Antigamente, quem se queria divertir ia ao circo ou ao teatro, rir com uma boa comédia. Agora vai-se aos touros. Ao som do pasodoble, batem-se palminhas. Pouco importa que o cavaleiro crave os ferros a cilhas passadas ou que a montada sofra toques: tudo se aplaude, tudo é motivo de "diversão". Não dá mesmo vontade de rir?

Citando Joaquim Grave:




«Se a sorte de varas é o teste para avaliar a bravura de uma rês (...) como se pode avaliar a bravura num Concurso de Ganadarias lidado a cavalo?
Não se pode avaliar a bravura na sua plenitude numa lide a cavalo. Apenas se fica com uma ideia do estilo de investida, pouco mais.»

(Joaquim Grave, ganadeiro, entrevistado sobre o Concurso de Ganadarias de ÉvoraDiário do Sul, 12-05-09)

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O império da corrupção.



«Os nobres romanos tiveram um agudo sentido da autoridade e da majestade do seu Império, mas era-lhes desconhecido aquilo que nós chamamos a noção do Estado, ou do serviço público. Distinguiam mal funções públicas e dignidade privada, finanças públicas e bolsa pessoal.
(...)
O funcionário íntegro é uma excentricidade [eu chamar-lhe-ia fantasia para entreter papalvos *] do Ocidente moderno; em Roma, cada superior pilha os seus subordinados, tal como se fazia nos impérios chinês ou turco, onde tudo fuincionava por subornos, e que não deixaram por isso de dar mostra de uma capacidade multissecular de dominação.O exército romano não deixava de ser eficaz por via dos curiosos costumes que, ao mesmo tempo, possuía: "tradicionalmente, os soldados pagavam um suborno aos oficiais para isenção de serviço, ainda que um quarto ou quase dos efectivos de cada regimento se entretivesse com frivolidades ou se pavoneasse nos aquartelamentos: contanto que o oficial tenha recebido o pagamento... Os soldados arranjavam o dinheiro necessário através de roubo ou do banditismo, ou então fazendo trabalhos de escravo. Se um soldado era um pouco mais rico, o oficial enchia-o de faxinas e de pancada até ele lhe comprar a dispensa"; pensamos estar a ler não Tácito, mas as Nouvelles asiatiques de Gobineau. Qualquer função pública era um racket onde os encarregados faziam pagar os subordinados e onde todos juntos exploravam os administrados: assim aconteceu no tempo da grandeza de Roma e no do seu declínio.

A menor função pública (militia), a de escrivão ou de contínuo, era vendida pelo antigo titular ao candidato à sucessão, já que se tratava de uma espécie de renda representada pelas "luvas"; para além disso, o recém-chegado devia dar uma gratificação substancial (sportula) ao seu chefe de repartição. No Baixo Império, os mais altos dignitários,designados pelo imperador, deveriam entregar uma... ao Tesouro imperial; (...)
E como qualquer nomeação assentava em recomendações de "patronos" que gozavam dos favores da corte, as recomendações (suffragia) vendiam-se ou, pelo menos, pagavam-se; se o patrono não mantivesse a sua palavra, a vítima não hesitava em apresentar queixa perante os tribunais. Os corretores (proxenetae) especializavam-se nas transacções de recomendações e de clientelas (amicitiae), mas a sua profissão estava publicamente desacreditada.(...)

Aos subornos acrescentavam-se as extorsões praticadas pelos altos mandarins. (...)
Cícero, depois de um ano de governo de uma província, ganhou apenas o equivalente a mil milhões dos nossos cêntimos e pôde  daí tirar glória: era muito pouco. (...)
Não se servia o Estado, servia-se no Estado, ao mesmo tempo em serviço próprio; esta concepção pode ser censurável, mas, psicologicamente, um corsário não é um oficial de marinha de alma corrupta.
A questão não é ser íntegro, mas ter tacto, à maneira de um comerciante que não deve deixar a clientela perceber que vende só em seu próprio interesse. Ora, enquanto os governantes se servem servindo o imperador, as populações oprimidas desejam poder acreditar que esses senhores paternais as oprimem para o seu próprio bem. "Sê obediente e o governador amar-te-á", escreve S.Paulo. É preciso portanto enriquecer sem impedir, por atitudes demasiado explícitas, a possibilidade dessa crença; o interesse dos funcionários nos lucros do poder não deve desmentir o desinteresse do poder em si próprio De tempos a tempos um processo público dava um exemplo e a cabeça de um governador caía, ou pelo menos a sua carreira: esse desastrado tinha manifestado sentimentos cinicamente interesseiros; tinha sido descoberta uma carta onde ele escrevia à sua amante: "Que alegria! Que alegria! regresso para ti livre das minhas dívidas, depois de ter posto à venda metade dos meus administrados".»

- Paul Veyne, in História da Vida Privada


E no meio deste estarrecedor espelho, ó caros confrades e otários, onde é que situais a tão propalada ética repúblicana, a tão cantada soberania popular ou a não menos diáfona igualdade dos cidadãos perante a lei, que vos alumiam o paleio e canonizam a submissão?...
Este trecho, então - "Qualquer função pública era um racket onde os encarregados faziam pagar os subordinados e onde todos juntos exploravam os administrados" - é uma perfeita antecipação do vosso tão augusto "estado social". Basta actualizar "administrados" por "contribuintes".

Títulos e títeres.




Em todo o caso, não percebo tanto escarcéu de cada vez que descobrem um falso doutor entre os ministros ou um falso engenheiro entre os chanceleres. Já a evidência recorrente e corriqueira de , por obra e graça de eleição, tanto doutor e engenheiro se transformar em falso ministro ou em pseudo-chanceler  não parece incomodá-los minimamente. Para não variar, aponta-se o cisco, a pentelhice na vista alheia e faz-se de conta que o argueiro - melhor dizendo, a trave descomedida - no olho próprio, embora cego, é perfeitamente natural. O escandalinho funciona assim como quê - paliativo para a imunda resignação?
E sempre pergunto: qual é o espanto? O escândalo é ele ter-se feito doutor em doze meses? Num país em que centenas de milhar se fizeram democratas numa noite - a mesma velocidade que qualquer eleito leva a mudar de nacionalidade, só que de dia e passada meia-hora de investidura -, o que é que isso tem de extraordinário?...

A sério, um ex-país infestado de gente com testículos postiços, coluna gasosa, moral descartável e lógica de conveniência consegue  ainda indignar-se com um título postiço? Não, isso é que é assombroso.