Nádegas e mamas.




A «notícia» já é conhecida desde Março deste ano: um misterioso gang de «hackers» penetrou no sexy iPhone da Scarlett Johansson e encontrou duas nádegas e uma mama.

Em Março os «misteriosos hackers» tinham deixado cair na Internet a primeira foto – a da esquerda. Agora apareceu a segunda.

Um dos dilemas existenciais mais mencionados no confessionário do Google – Where can i find Scarlett Johansson nude pics? – foi finalmente solucionado.

Estas são apenas as primeiras nádegas, mas ninguém sabe quantas mais poderão surgir. Só na indústria do entretenimento fala-se em 100 nádegas «hackadas» pelo gang.

Chego a este número porque as notícias referem 50 actrizes com iPhones «martelados» e, se não me falha a matemática, cada uma deve ter pelo menos um par de assentos. É só multiplicarem cada rosto por dois e obterão o resultado certo em nádegas.

O FBI já anda à caça da história. As de Jennifer Lopez não constam na lista das nádegas mais procuradas pelos agentes do bureau, o que é uma pena. Tenho as nádegas da Jennifer em tal consideração que faria qualquer coisa pela oportunidade de uma observação mais cuidada – e isto inclui ouvi-la cantar.

Quando se mencionam as sagradas nádegas da Jennifer ou as generosas protuberâncias mamárias da Salma Hayek – só para dar quatro exemplos – convém sempre evocar as imortais e certeiras palavras de Francis Bacon: «Não há beleza perfeita que não contenha algo de estranho nas suas proporções».

O processo de imitar as fotos da Scarlett chama-se «Scarlettjohanssoning». Quem quiser participar… é aqui. O tipo que se lembrou deste meme é um génio do «link baiting», disso não tenho dúvidas.

Tudo é permitido.


Não poderíamos nunca, sem a ecologia, justificar a existência de duas fileiras de alimentação, uma saudável e biológica para os ricos e seus rebentos, a outra notoriamente tóxica para a plebe e seus descendentes, prometidos à obesidade. A hiper-burguesia planetária não saberia fazer passar por respeitável o seu rumo de vida se estes seus caprichos não fossem escrupulosamente “respeitadores do ambiente”. Sem a ecologia, ninguém teria ainda autoridade suficiente para fazer calar toda a objecção aos progressos exorbitantes do controlo. Rastreio, transparência, certificação, eco-taxas, excelência ambiental, polícia da água, auguram o estado de excepção ecológica que se anuncia. Tudo é permitido a um poder que toma a autoridade sobre a Natureza, a saúde e o bem-estar.
[...] O novo ascetismo bio é o controlo de si que é exigido a todos para negociar a operação de salvamento que o sistema se atribuiu a si próprio. É em nome da ecologia que será necessário apertar os cintos daqui para a frente, tal como o foi em nome da economia até aqui. A estrada poderia seguramente transformar-se em pistas de bicicletas, nós poderíamos mesmo, nas nossas latitudes, ser um dia recompensados com um rendimento garantido, mas apenas como prémio de uma existência inteiramente terapêutica. Aqueles que defendem que o auto-controlo generalizado nos poupará da submissão a uma ditadura ambiental mentem: um fará a cama para a outra e nós acabaremos por dormir com ambos. Enquanto houver o Homem e o Ambiente haverá sempre a policia entre eles.

A insurreição que vem, Lisboa, Edições Antipáticas, 2010

Bom fim de semana.

Cada país tem o seu massacre.


No Aventar: 

As balas são acessíveis, custam cerca de euro e meio por litro em qualquer gasolineira. As rajadas são traiçoeiras, feitas de ultrapassagens à segurança dos outros.

Dia após dia, cruzo-me com eles no asfalto de batalha. Têm pressa, mal podem esperar pelas importantíssimas insignificâncias que os esperam. Ontem encontrei um no IC19. Veio da esquerda, cruzou em diagonal três faixas, forçou a existência de um espaço à minha frente, para finalmente, já em cima do risco contínuo, enveredar por uma saída. Fiquei fascinado com tamanha proeza, plena de audácia e de destreza. No vídeo-jogo, em que aquele condutor vive, depois gastas as três vidas basta recomeçar. Mas na vida real que lhe parece ser estranha, game over traz sangue e lágrimas.

Cada país tem o seu massacre, seja pela mão de pessoa colectiva ou individual.



Amy

Nunca compreendi como era possível empurrar a Amy Winehouse para um palco em estados catastróficos de bebedeira, quando seria evidente o desastre. Ela era um freak show a explorar. As suas ocasionais humilhações em palco criavam buzz e publicidade gratuita, só isso explicava como agentes ou responsáveis pela sua carreira a deixavam expôr-se repetidamente nessas situações em vez de cancelar o concerto. Tinha o ar de ser uma pessoa totalmente à deriva do próprio talento e que este era também uma maldição. A morte dela não é uma surpresa mas talvez por isso mesmo seja mais triste ainda. Porque ninguém a salvou?






E valeu a pena porque o kill death ratio do Breivik foi de uns 80/0 e teria sido mais se os miúdos pudessem fazer respawn.


Há mais de 100 milhões de jogadores de consolas PS3 ou XBOX 360, mais outros tantos em PC em todo o mundo e pelo menos 80% serão homens que jogam a First Person Shooters o que dá uns 160 milhões de pessoas altamente treinadas em matança de noobs desarmados e encurralados.





Política de alianças.



Tempo houve em que a extrema-direita, no tempo em que respondia por nazismo e fascismo e usava camisas cor de morte, tinha no muçulmano um dos seus aliados dilectos. E esse tempo durou até depois, muito tempo depois, de terminada a II Guerra Mundial. Era necessário salvar muita gente e a Síria, o Líbano e o Egipto, entre outros, foram portos seguros. Eram os tempos do “judaísmo internacional” e também do nacionalismo árabe e da autonomia da Palestina e por isso muita Esquerda europeia assobiou para o lado e fingiu que não viu. Não tinha Molotov assinado um pacto com Ribbentrop? Os tempos agora são do “multiculturalismo” e da “colonização silenciosa da Europa”. E o “judaísmo internacional” já tem Estado. E está ali, cravado no meio. Para a Esquerda e para a Direita. Nada de novo, portanto.

[E a Esquerda sempre, mais rápida que a própria sombra, na procura da justificação e da causa das coisas, agora, que os criminosos sérvios estão todos sentados em Haia, nunca lhe passou pela cabeça vir aqui. Adiante…]

Apesar da crise, iluminação total na balança de transacções correntes.

Esta nova mesa de matraquilhos deve ser a única forma possível de treinar os seguintes jogadores: Moreira, Luisão, Carole, Jardel, Pereira, Amorim, Javi, Gaitán, Jara, Weldon, Saviola, Artur, Wass, Léo (?!), Almeida, Coelho, César, Matic, Pérez, Pinto, Mora, Nolito, Melgarejo, Oblak, Rosa, Simão, Ureta, Balboa, Rodrigo e Nelson (total de 30 efectivos), sendo que ainda existem dúvidas sobre se ligam a luz mais 13 (Garay, Ansaldi, Danilo, Romeu, Mangala, Dedé, Angel, Witsel, Sarabia, Ruiz, Damião, Ávila, Stracqualursi), e não ser ainda certo que outros 9 (Roberto, Roderick, Peixoto, Martins, Aimar, Salvio, Fernandez, Cardozo e kardek) desliguem ou não a luz.
Repare-se que entre estes 52 atletas só existe um com apelido começado em B de Benfica: o Balboa. É de facto muito estranho.

Eles procuram abrigo.

Nisto dos putos e das canções e gerações e protestos, estas coisas giras que ciclicamente acontecem com todas as gerações saudáveis, tenho visto exemplos de cinismo e maldade para com os putos e as suas manifestações.

Não gosto de ver essas personagens na minha própria geração (76), nem daí para baixo.

Admito isso nos velhos lógicos, senhores com alguma idade e com a 4ª classe, que têm uma visão do mundo formada pelo Correio da Manhã e que ligam para o Fórum TSF, ou nas tiazecas que vivem em microcosmos ou no Pacheco Pereira.

Mas não em pessoal de 30 e tal anos que cresceu a ouvir rock e com o Herman José e que ainda apanhou a Internet na universidade.

É legítimo e útil criticar as reivindicações, questionar a utilidade da manifestação, mas não o sintoma em si, não o carácter dos jovens, não o serem preguiçosos, baldas, mimados, desinteressados, decadentes, indisciplinados ou ignorantes... Pensemos antes que coisas como o eventual desinteresse de uma geração pode ser um sinal que o que existe agora é desinteressante e nós é que já estamos tão condicionados por esta merda que nem questionamos as coisas que nos obrigaram a engolir.

Às vezes acho que as pessoas fazem isso porque se sentem ressentidas de terem tido de abdicar dos seus próprios sonhos para se encaixarem em rotinas miseráveis e massacrantes, com as vidas pessoais subjugadas a empregos claustrofóbicos, em que grande parte do problema é precisamente aturar algumas pessoas da geração anterior, a que manda em nós e define regras por vezes absurdas e irracionais.

E muito menos, nunca, jamais, never, com o disparate de se considerar uma nova geração pior que a anterior, pior do que a própria.

A única coisa que pode haver é uma preciosa ingenuidade, comove-me que os putos estejam chateados. O cinismo ácido que tenho visto por aí... É na desconfiança da geração seguinte que reside o primeiro e mais grave sintoma de estar velho.

Para um puto entalado numa vida sem perspectivas, o primeiro verso de gimme shelter dos Stones é mais do que o primeiro verso de gimme shelter dos Stones


Yeah, a storm is threatening
My very life today
If I don’t get some shelter
Lord I’m gonna fade away